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Os racistas estão à porta - "Parada à KKK" em frente ao SOS Racismo

ago. 17, 2020 0 comments

(Imagem retirada do Facebook de Ricardo Cabral Fernandes)

Falamos do caso que aconteceu na noite de sábado, dia 8 de agosto, em que um grupo de pessoas fez uma parada nacionalista em frente ao SOS Racismo.

Estamos a fazer scroll pelo Twitter quando aparece uma fotografia de pessoas com máscaras e tochas iguais às utilizadas nos protestos neonazis nos Estados Unidos da América. Pensamos exatamente isso: “O que é que aconteceu na América? Manifestações nazis outra vez?”. Os olhos ficam chocados quando nos apercebemos que não, não foi na América, foi aqui em Portugal numa noite de sábado, mesmo à frente do SOS Racismo.

O Público,  o Observador, o Expresso, o JN, a SIC Notícias, a TSF, noticiaram o acontecimento baseado na publicação do Facebook da página do SOS Racismo, explicando o grupo estar a utilizar máscaras brancas e tochas, ter elementos da Nova Ordem Social de Mário Machado e ligações com o Klu Klux Klan

O Observador, o Público e o JN chamaram ao grupo de “KKK” na manchete, enquanto os restantes jornais limitaram-se por escrever “nacionalistas” (sempre entre aspas, claro, que jornais só podem dar a sua opinião com as palavras dos outros). É óbvio que houve aqui uma escolha de palavras intencional por parte dos jornais. “parada à KKK” tem conotação mais negativa e é muito mais chocante do que “nacionalistas”. Aliás, a utilização da palavra “nacionalistas” quase parece querer justificar os atos destas pessoas como sendo apenas uma opinião ou perspetiva política e não algo horrível como os KKK.

As próprias fotos utilizadas metem medo, parecem de um filme de terror (o “Get Out”, se calhar?). Parecem um culto. O facto de taparem a cara com máscaras, prova que sabem estar a fazer algo inaceitável, como promover o ódio e morte de um grupo de pessoas. Fica a pergunta se nenhum deles olhou no espelho e se recordou das aulas de história do secundário e dos horrores que saem destes ideais e ações. É provável que nem sequer tenham estado atentos às aulas, para estarem ali.

Afirmaram estar lá em “homenagem dos polícias mortos em serviço”, segundo o Observador, numa contra manifestação às do Black Lives Matter (BLM). Devem ser as mesmas pessoas que nas redes sociais diziam “mau é estar a dizer que todos os policias são maus e deviam morrer”, que perdiam a ironia e hipérbole das expressões utilizadas nas manifestações BLM. Não era uma crítica aos polícias, mas sim a um sistema que discrimina, os manifestantes não saíram a matar polícias. Estes mascarados com tochas estão a promover o ataque e morte de um grupo de pessoas já discriminado, e não de forma hiperbolizada. Utilizam simbolismo associado ao ataque a esta minoria, símbolos associados aos KKK, ao neonazismo. Símbolos que fazem nascer medo nas pessoas que não cabem nos seus ideais do que é ser “português”. Fazem isto propositadamente. O que aconteceu em frente ao SOS Racismo não foi uma “parada” ou manifestação, foi uma mensagem de ódio, intolerância e medo. Como disse Mamadou Ba, dirigente do SOS Racismo, esta mensagem “ultrapassa todos os limites do confronto ideológico”. 

Já não é um debate. É Portugal a ir pelos mesmos caminhos que os Estados Unidos da América, que o Brasil. Algo tem de ser feito, algo além de partilhar o assunto nas redes sociais.

O que este acontecimento mais fez lembrar foram as manifestações do senhor político André Ventura, que dizia “Portugal não é racista” (não duvido que alguns apoiantes do CHEGA estivessem nesta “parada”). Depois desta, não dá para negar. O racismo em Portugal apareceu mesmo à porta do SOS Racismo.

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