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8 grandes escritoras da história da literatura

mar. 8, 2021 1 comments

 

No Dia da Mulher, 8 de março, relembramos 8 escritoras que influenciaram para sempre a literatura, não só com a sua escrita, mas com as suas ideias e personalidade.

Por vezes, parece existir um maior foco nos homens da literatura que nas mulheres. Isto deve-se ao facto de a escrita e a profissão de escritor ter sido sempre disponível aos homens, enquanto as mulheres tinham de lutar por ser escritoras. As mulheres que iremos abordar deixaram a sua marca na literatura independentemente da sociedade em que viviam. Estas escritoras são Jane Austen, Mary Shelley, Virginia Woolf, Agatha Christie, Florbela Espanca, Sophia de Mello Breiner, Sylvia Plath e Toni Morrison.

1. Jane Austen - orgulhosa e sensível


Jane Austen foi escritora inglesa do século XVIII. Escreveu as obras Orgulho e Preconceito, Sensibilidade e Bom Senso, Persuasão, Emma, Mansfield Park, Northanger Abbey e Lady Susan. As obras não tinham tanta fama quando foram publicadas, apesar das tentativas de Austen de ultrapassar o sistema que odiava as mulheres escritoras. Foi com a evolução dos tempos modernos que estes foram ganhando valor como clássicos. As suas obras eram sátiras da época envolvidas num romance cativante cheio de ironia, romances de costumes não muito diferentes de Os Maias, com a exceção de não serem calhamaços tão maçudos e terem mulheres como personagens principais, numa crítica ao machismo que tinham de enfrentar.

Austen foi educada por um tutor, e mostrou talento para a escrita desde muito cedo. O facto de ter sido educada por um tutor tornou-a defensora dos direitos da educação da mulher, apesar de admitir que tutoria e ensino não cria uma pessoa.

O seu melhor livro é sem dúvida, Orgulho e Preconceito.

2. Mary Shelley - a "Prometeia" da literatura


(retrato por Richard Rothwell)

Mary Shelley, mãe da ficção cientifica, e escritora do famoso livro Frankenstein, Mathilda, The Last Man, Lodore, Falkner. Escreveu Frankenstein para uma competição amigável de escrita entre ela, o marido Percy Shelley e o seu amigo Lord Byron. Começou por ser uma história curta, mas o seu marido, que a apoiava sempre, incentivou-a a expandir a obra. Sendo Frankenstein a primeira obra de ficção cientifica, foi revolucionária. Shelley passou o resto da sua vida como escritora com o impulso desta obra, e por ter contacto com outros escritores.

Shelley ter sido uma mulher revolucionária não é surpresa, a sua mãe era Mary Wollstonecraft, famosa escritora feminista. Infelizmente, perdeu a mãe cedo, mas o seu pai garantiu que seria educada pelos valores da mãe e tornar-se-ia numa grande mulher.

A sua melhor obra é, claro, Frankenstein. Depois do Prometeu Moderno, nenhuma conseguiu ser tão grandiosa.

3. Virginia Woolf - uma escritora no seu quarto

(retrato por George Beresford)

Virginia Woolf está entre os autores que começaram o modernismo clássico, escreveu The Voyage Out, Night and Day, O Quarto de Jacob, Mrs. Dalloway, To the Lighthouse, As Ondas, Os Anos, Entre os Atos e muitas coleções de contos e ensaios, entre estes, The Room of One's Own. Tornou-se uma escritora reconhecida nos anos 20, mas após a Segunda Guerra Mundial, as suas obras foram desvalorizadas, voltando apenas à fama no tempo moderno dos anos 70. Os seus romances são marcados por apresentarem o pensamento dos personagens em detalhe, dando-lhes uma consciência. Os seus ensaios são ainda hoje um marco na literatura feminista.

Filha de um editor e ensaísta, nasceu no mundo da escrita. Não frequentou a escola, mas foi educada por tutores e pelo pai. A sua escrita também foi influenciada pelo abuso que sofria dos meios-irmãos, e poderia ter sofrido de bipolaridade. Na carta que escreve antes da sua morte, diz estar a "enlouquecer" e já nem conseguir escrever devido ao seu sofrimento.

O seu melhor romance é Mrs. Dalloway, mas nada se compara ao ensaio The Room of One's Own.

4. Agatha Christie - Abc dos policiais


Quem não conhece Agatha Christie, a Rainha do Crime? A Ratoeira está agora como adaptação teatral no Teatro Armando Cortez em Lisboa, uma das peças mais encenadas no mundo do teatro, baseada na sua obra Three Blind Mice e adaptada pela própria autora, mas todas as suas obras davam boas adaptações teatrais por serem cativantes e cheias de suspense. Escreveu um total de 72 romances, sendo os mais famosos Murder On The Orient Express, And Then There Were None, The Murder of Roger Ackroyd e Curtain. Pessoalmente, o favorito é A Casa Torta (Crooked House). As suas obras satirizam histórias infantis, e têm detetives recorrentes entre livros.

Começou a sua carreira com policiais nos anos 20 e causou polémica por quebrar as regras do género literário. Ela própria foi um mistério durante a vida, chegando a desaparecer por completo durante 11 dias. Escreveu durante 56 anos, e as suas obras continuam hoje a ser das mais vendidas.

5. Florbela Espanca - livros de mágoas e saudade


A primeira escritora portuguesa nesta lista e maior poetisa de Portugal. Na poesia foram publicados o Livro das Mágoas, O Livro de Soror Saudade e Charneca em Flor, mas mais famosa pelos seus sonetos. Na prosa, As Máscaras do Destino, Diário do Último Ano e O Dómino Preto. A sua poesia contém tanto todas as suas dores como a sua paixão por Portugal e pela escrita. Contos e poesia eram os géneros literários que mais escrevia. A feminilidade e o erotismo marcam também os versos de Espanca, algo que, na época, não era comum de ser incluído na poesia. 

Frequentou a escola, e foi lá que escreveu os primeiros textos, sempre com uma sensibilidade para a poesia. Foi das primeiras mulheres a frequentar um curso e foi jornalista. Publicou a sua primeira obra, O Livro das Mágoas, em 1919 e este foi um sucesso imediato. Hoje, ainda é a sua melhor obra. 

6. Sophia de Mello Breiner Andresen - A fada poetisa


Sophia de Mello Breiner, uma autora que decerto todos os portugueses estudaram na escola, quer seja os seus livros juvenis, como a sua poesia. Entre os livros juvenis temos títulos que decerto vão avivar a memória, como A Menina do Mar, A Fada Oriana, O Rapaz de Bronze e O Cavaleiro da Dinamarca. Já a sua poesia, apesar de mais lida em poemas soltos, não é escassa - escreveu no total 21 livros de poesia, sendo o mais conhecido, Poesia.

Para além de escritora, também se envolveu na política, sendo uma figura liberal, e um dos seus poemas foi utilizado como música de intervenção. Depois do 25 de Abril, fez parte da Assembleia Constituinte.

A sua obra mais inesquecível por todos os jovens portugueses é A Fada Oriana.

7. Sylvia Plath - poetisa de vidro


Sylvia Plath foi uma poetisa que morreu tragicamente tomando a própria vida. Escrevia poesia confessional e tem um único romance baseado na sua luta contra a depressão. Esta obra é The Bell Jar, em português, A Campânula de Vidro e publicou apenas um livro de poesia enquanto viva, The Colossus and Other Poems, sendo que os livros Ariel e Crossing the Water foram publicados após o suicídio. Os seus poemas têm temas de natureza e do perturbador.

Sendo mulher nos anos 50, a sua saúde mental foi gravemente mal tratada, sendo administrada terapia do choque várias vezes, ou até ignorada, sendo a poesia a única terapia que tinha. Quando finalmente lhe foram receitados antidepressivos, estes não fizeram efeito a tempo. Anos depois, dá nome ao Efeito Sylvia Plath, que encontra um padrão de depressão em poetisas. Parte da sua escrita foi queimada ou perdida pelo marido.

Apesar de The Bell Jar ser uma obra semiautobiográfica, sentimos mais a dor de Plath nos seus poemas, sendo a melhor compilação Ariel. 

8. Toni Morrison - escritora amada


Beloved, de Toni Morrison, é um clássico moderno, e devia ser considerado como tal por todos. Há quem o considere apenas um "clássico Americano", mas todos deviam ler a obra de Morrison, pois independentemente do país, é literariamente genial e dá-nos uma nova perspetiva sobre a vida - não ganhou um prémio Nobel por nada. Entre os seus romances, estão The Bluest Eye, Sula, Song of Solomon, Tar Baby, Beloved, Jazz, Paradise, Love, A Mercy, Home e God Help The Child. Estes romances têm temas de racismo e ultrapassar adversidades, sem ignorar os horrores pelos quais passavam - e passam - pessoas negras.

Foi a primeira mulher negra a ganhar o Prémio Nobel da Literatura. Morreu recentemente em 2019, mas teve uma grande vida. Começou a sua carreira como professora de inglês numa universidade segregada e escreveu o seu primeiro romance nos anos 70, apesar de já escrever desde os anos 50. Quando publicou Beloved no final dos anos 80, este foi imediatamente aclamado por críticos. Apesar disto, foi preciso manifestação de escritores e críticos negros (entre estes Maya Angelou) para o romance ganhar os prémios que merecia. 

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