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A Boa Gente do inverno - Fadas do Yule

dez. 23, 2021 0 comments

O Yule é uma celebração pagã originada na mitologia Nórdica e Celta. Sendo as entidades feéricas nativas destas culturas, conseguimos encontrar muitas fadas ativas durante esta época de celebração. Neste artigo, abordamos algumas delas.

A celebração do Solstício de inverno vai de dia 23 de dezembro a 1 de janeiro. Decorre de forma semelhante ao Natal, sendo esta celebração cristã uma adaptação da pagã, com a decoração da casa com elementos naturais que sobrevivem no inverno, troca de prendas, comida da época e velas para invocar a luz de volta à Terra. Uma parte da celebração é menos conhecida, e esta é a que envolve as fadas. Vários tipos de fadas ficam mais ativas, ou seja, interagem mais com humanos, durante o Solstício de inverno - por isso, é importante saber identificar os sinais das mesmas e como conviver, ou banir as mesmas.

Duendes

Existem dois tipos de Duendes: Duendes Domésticos e Duendes Selvagens. Ambos ficam mais ativos durante o Yule, pois a sua energia está ligada à família e humanidade, sendo estas fadas da Península Ibérica fadas que se originam no coração da casa, para fazer bem ou mal. Como durante o Solstício de inverno a família se une sob um só teto, os Duendes ficam entusiasmados para ajudar, ou incomodar, todos os membros da mesma.

Um Duende Selvagem é um espírito malandro, que faz pequenas coisas correrem mal pela casa. Não é uma entidade malévola com o objetivo de causar dor ou sofrimento, apenas chatear quem vive na casa. Aquelas coisas chatas que nos acontecem ocasionalmente: desaparecem as chaves do carro, perdemos um brinco, não termos uma especiaria que jurávamos ter na despensa, buracos e botões descosidos nas camisas, nós chatos no cabelo - tudo obra de um Duende Selvagem. Durante o Solstício de Inverno, ganham mais pessoas a quem fazer das suas traquinices. Podem ser facilmente banidos ao oferecer roupas pequenas, face às quais deixarão a casa em paz.

Já Duendes Domésticos ocorrem quando uma casa é amada ou por um contrato com um Duende Selvagem para este passar a ser Doméstico. Estes Duendes são a essência da casa, e visam ajudar todos os que a habitam. Oposto aos Duendes Selvagens, fazem aquelas pequenas coisas agradáveis que encontramos ocasionalmente: buracos na roupa arranjados, sapatos engraxados, encontrar moedas nos bolsos das calças, aquele brinco que desapareceu há anos reaparecer, um ingrediente que precisávamos para uma refeição magicamente aparecer no frigorífico. Com a casa cheia no Yule, estes Duendes ficam cheios de trabalho, certificando-se que cada pessoa da família está feliz e confortável. Uma forma de mostrar apreciação pelo seu trabalho é partilhar o jantar de natal com eles, colocando um pequeno prato com comida à mesa ao lado da família.

Encontramos exemplos de comportamento semelhante a Duendes em outras mitologias que não a Ibérica, como os Yule Lads da mitologia islandesa, 13 homens pequenos que durante os 13 dias antes do natal, fazem cada um, uma traquinice diferente, como lamber colheres, roubar salsichas, fechar portas e apagar velas. 

Nisse e Elfos

Sendo o Yule uma celebração principalmente nórdica, existem dois seres mágicos nórdicos que ficam ativos durante esta altura, um específico à celebração e um mais geral.

Já viste aqueles peluches decorativos de homens pequenos barbudos com os olhos tapados pelos seus gorros de natal, parecidos com Gnomos? Esses são os Nisse, ou Tomtes, espíritos do Yule que protegem a casa do tempo agreste do inverno, especialmente gado e outros animais. Em tempos modernos, podem ser considerados protetores contra doenças e mau-olhado. Possuem força superior a um humano e apesar de protetores, são facilmente ofendidos se o dono da casa que habitam for preguiçoso ou desrespeitoso para com as suas funções na família. É típico decorar a casa com figuras do Nisse para estes espíritos as incorporarem e poderem observar a casa a partir delas. Se se sentirem ofendidos, partem objetos pela casa. É boa educação dar papa ou arroz-doce ao Nisse na noite de natal para mostrar a nossa apreciação pela sua proteção.

Os Elfos são os que vemos mais na cultura popular, os famosos "Elfos ajudantes do Pai Natal". Sendo o Pai Natal a versão popular de Odin, os Elfos, ou Álfar, são a boa gente nórdica, frequentemente chamados de "o povo belo" devido a serem supernaturalmente bonitos. São seres da natureza e tendem a ser amigáveis para com humanos, mas também seguir as ordens dos Aesir (o panteão nórdico principal) como seus Reis e Rainhas. Durante o Yule, poderá colocar-se algo em casa para dar as boas vinda aos Elfos que chegam para nos abençoar a casa, como uma pequena refeição de bolachas, uma figura de um Elfo que estes possam possuir como forma física, ou uma pequena porta de madeira ou barro feita à mão para criar uma entrada de fadas. 

Kelpies e Janas

Agora tocando em seres mágicos com intenções mais malévolas, temos duas representações do perigo dos rios e lagos gelados de inverno. Estes dois seres são especialmente comuns durante o inverno, durante o qual arrastam viajantes pouco afortunados para as profundezas das suas águas.

Kelpies são criaturas da mitologia popular escocesa. São descritas como fadas que podem mudar de forma, escolhendo principalmente a de um grande cavalo completamente negro ou completamente pálido, característica que partilham com muitas outras fadas mortais de diferentes mitologias, como o Puca. O cavalo ficaria erguido num lago ou rio, atraindo mulheres e crianças que se aproximassem do mesmo, que ao observarem o espectro equino, teriam a tentação de o acariciar ou montar, e se o fizessem, ficariam coladas ao espírito, levadas com ele para as profundezas. Existe também registo de Kelpies se transformarem em humanos sedutores, mas nunca conseguiriam esconder os seus cascos de cavalo. Outras histórias dizem ainda que a forma de identificar uma Kelpie é olhando para os cascos do cavalo, se estes estiverem ao contrário, trata-se da fada malévola. Não existe forma de defesa de um encontro com uma Kelpie - a não ser, claro, não andar a passear na floresta à noite com o frio do inverno.

Semelhante às Kelpies mas mais ambíguas, temos as Janas em Portugal, que apesar de serem fadas protetoras, que quando oferecidas pão tecem um cobertor mágico que abençoa todas as gerações da família, podem também ser traiçoeiras durante o inverno, seduzindo e arrastando viajantes para as profundezas das águas como as Kelpies. São belas mulheres de cabelos dourados, que podem ser encontradas em rios a tecer linho tão loiro quanto o seu cabelo. Quem observa uma ficará num trance e caminhar até ao rio cegamente, não se apercebendo que afunda. Estas são fadas do destino, pelo que se se decidirem que alguém se destina a afundar, não haverá como evitar, principalmente se o espaço das mesmas estiver a ser invadido. São ligadas à Deusa romana Diana, possivelmente às ordens da mesma, pelo que estar em bons termos com esta Deusa ajudará.

Jack Frost

Terminamos com a personificação do próprio inverno e frio agreste, Jack Frost. Esta entidade liminal de origem anglo-saxonica pode representar o frio, mas não é uma entidade malévola. É uma fada malandra, como os Duendes, mas está ligado à beleza do inverno, sendo por vezes descrito com um pincel e balde de tinta que pinta as folhas e janelas com a sua geada. O brilho da neve, os pingos da chuva a cair das folhas dos pinheiros, os cristais da geada que cai as janelas enevoadas, a nuvem que se forma ao respirar, tudo isso é o Jack Frost. 

Como maior parte das personificações dos elementos, o Jack Frost não é uma fada que se pode atrair ou banir. Devemos honra-lo, ver que apesar de o inverno trazer o frio e escuro, traz muita beleza e oportunidade para passar mais tempo perto de casa. Uma boa oferta para mostrar a nossa apreciação é uma folha guardada do outono para este ser mágico a levar consigo como uma das suas muitas telas da natureza. 

@probablysininho

Reply to @v3nus.l3on0r Qual destas fadas gostaste mais de descobrir? ##OMeuNatal ##paganismo ##witchtok ##fadas

♬ Winter / Chill / R & B_No517 - table_1

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